A PRECARIEDADE DOS SERVIÇOS EM SAÚDE NO BRASIL NÃO É EXCLUSIVIDADE DA REDE PÚBLICA, VEJAM OS RELATOS SOFRIDOS POR RAÍSSA SOUZA NA HAPVIDA

A precariedade dos serviços publicos em saúde no Brasil é um caos, todos nós estamos cientes disso. Os maus investimentos e a distribuição do dinheiro público nos serviços básicos de saúde deixa-nos à mercê dos serviços privados, dos planos de saúde. A demanda da população é maior do que os serviços públicos podem suportar, com isso, governo federal e estadual formam parcerias com a rede privada para que os gargalos gerados nos corredores dos hospitais possam desobistruir e atender um número “insuficiente” de pessoas.
Com isto, muitos brasileiros migram ou “tentam a sorte” assinando planos de saúde privado, por apresentar um marketing diferenciado do que é apresentado pelas mídias a população brasileira. De fato, em alguns pontos a saúde privada tem uma ligeira vantagem se comparada com a saúde pública do país, mas isso é uma regra para toda rede privada? Não!
Assim como ocorrer descasos na rede pública de saúde, a rede privada também apresenta diversos problemas de gestão e administração, funcionários desqualificados, mal remunerados e muitos obsoletos que prestam atendimentos em vários hospitais privados. Além disso, algumas redes privadas apresentam problemas estruturais semelhantes a rede pública, claro, nem toda rede pública tem estes problemas, em alguns estados a saúde funciona e demonstra ser melhor do que em outras regiões do país, depende da gestão.
Bem, o relato abaixo que vocês irão ler é da internauta Raíssa Souza, que tem um plano de saúde empresarial, em parceria com a rede de atendimento HAPVIDA. O relato aconteceu na data de ontem (21) no hospital da Hapvida em Natal/RN. Ela conta todos os detalhes dos fatos que ocorreram, dos abusos por parte dos funcionários, o mal atendimento, a falta de equipamentos e o risco de vida que a própria correu nos corredores de um hospital privado que deveria prestar um atendimento diferenciado para seus clientes. 
Esperamos que medidas sejam tomadas e que este caso torne-se público, a fim de mostrar para toda sociedade que casos assim não é uma exclusidade da rede publica de saúde. A rede privada tem seus gargalos, tem seus monopólios e deixa muito a desejar para com seus clientes. É necessário que os órgãos fiscalizadores analisem estes casos e façam cumprir às normas da lei. Confira!

“Dia 21/09/2018, após 14 dias de operada, tenho certeza que passei pelo PIOR momento do meu pós operatório. Recebi o pior atendimento que um ser humano pode receber em lugar onde eu deveria me sentir cuidada e segura. Dei entrada no hospital da Hapvida Natal as 9:54 na especialidade de traumatologia, passaria pelo ortopedista de plantão do pronto socorro, ele iria ver a requisição do meu ortopedista e me liberar para retirada dos pontos. O médico do plantão, assim como meu médico, reforçou que eu teria que ter prioridade já que não posso passar muito tempo em pé e nem sentada devido as dores que ficam fortes e por não poder dobrar o joelho. Retorno a recepção, informo que vou retirar os pontos e repito as orientações que os médicos passaram, a resposta da recepcionista é rápida “Não há prioridade para retirada dos pontos. Se não puder esperar tem que ir falar com a enfermeira chefe”, informei que estava cirurgiada e toda a minha situação novamente, a outra recepcionista disse que só há prioridade pra suturas. 7 pessoas na minha frente e só uma técnica de enfermagem pra fazer curativos e retirada de pontos. Já cansada, resolvi sentar e esperar, pouco tempo depois a circulação do pé já não era lá essas coisas, eu tinha um pé roxo e inchado, coisa que não acontecia desde o décimo dia de pós operatório, a dor começou a apertar forte e o choro veio sem eu conseguir mais segurar, minha mãe que me acompanhava foi falar com a enfermeira chefe que disse que HAVIA PRIORIDADE SIM e me colocou como próxima da fila. Aguardei cerca de uma hora ainda porque o paciente que entrou na minha frente também tinha muitos pontos, após ele uma moça que estava com uma queimadura exposta pediu pra passar na frente pra poder lavar e cobrir o ferimento, por saber que era um procedimento rápido, permiti. Após a moça sair chegou na urgência uma outra pessoa que precisava ser suturada e estava perdendo sangue, era mais prioridade que eu, sem dúvidas, aceitei pq sabia também que depois dali eu entraria e tiraria meus pontos. Comecei a andar pelo corredor com as muletas pra tentar fazer com que a circulação do pé melhorasse um pouco e ele voltasse, pelo menos, a ter cor normal. Quando percebi que o pé já não estava tão roxo, encostei na parede pra descansar a outra perna na qual eu me apoio e aí começou de verdade o meu pesadelo. Lembro de ter dito a minha mãe que eu estava tonta, ela me sentou, eu senti a perna cirurgiada adormecer junto com o resto do meu corpo, sei ainda que me colocoram em uma maca, me retornaram pra recepção pra dar entrada em um atendimento pra clínica médica e depois me mandaram na enfermaria porque o médico iria até lá me examinar. Depois disso não lembro de muita coisa, estava com o rosto e o corpo completamente dormentes. Fui melhorando aos poucos, os enfermeiros verificaram meus sinais vitais e me colocaram em um leito para fazer a retirada dos pontos. O enfermeiro retirou TODOS os meus 31 pontos com um intervalo entre um e outro porque eu estava sentindo dor, eu melhorei, sai da enfermeira e não sei nem que cara tem esse clínico geral que eles disseram que me atenderia, ele simplesmente nem pisou lá. Achei que tinha melhorado, me ajudaram a descer da maca, minha mãe me auxiliando, peguei minhas muletas e fui andando até a saída, chamei meu Uber e fiquei aguardando lá, em pé pra tentar melhorar a circulação do pé direito que já estava bem sofrido desse dia turbulento, o Uber foi parar na entrada do PS da pediatria e minha mãe foi até ele pedir que fizesse o retorno pra me pegar na entrada do PS adulto, enquanto o motorista retornava, o pesadelo retornou só lembro de ter dito a minha mãe que eu estava tonta e dela pedindo pra eu aguentar um pouquinho porque eu não podia dobrar a perna e nem sofrer uma queda, daí perdi todos os sentidos novamente e quando me dei conta um acompanhante de outro paciente, um paciente e o rapaz responsável pela limpeza é que estavam comigo no braço e segurando minha perna, enquanto o motorista do Uber tentava aproximar o carro pra eles conseguirem me botar lá dentro. Cadeira de rodas não foi encontrada dentro do hospital nessa hora, até onde eu entendi. Os rapazes perguntaram se eu queria ser colocada pra dentro pra pedir um novo atendimento, seria o terceiro, mas eu recusei e minha mãe também. O que eu mais queria era sair dali, eu queria ser socorrida em qualquer lugar, menos no hospital do plano de saúde. Durante todo o momento de fragilidade física e emocional que estou passando devido a essa cirurgia, a situação de hoje foi a que mais me abalou. Fisicamente, estou novamente cheia de dores e meu joelho que já não estava mais inchado voltou a parecer uma bola de basquete. Emocionalmente abalada. E pedindo a Deus pra não ter que voltar pra aquele lugar nos próximos dias”.



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